quinta-feira, 13 de maio de 2010
tédio.
acordo de manhã e o que vejo fora da janela é apenas o mesmo. e o dia será apenas mais um no meio do tempo que não ousa em passar. as horas dilatam como as imagens que se colam aos olhos. fechar os olhos é pior. concentra.
passa-se o dia e tudo o que existe no final para dizer deixa-se cá dentro para, talvez, amanhã...
domingo, 2 de maio de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
iii
ouço um suspiro junto do meu ouvido. escrevo essa voz que vem de longe e encho as sílabas de doçura. sem pressa. as palavras vão avançando devagar, para nada escapar dos recantos da memória. mais tarde digo-as de novo. apenas para fechar os olhos contigo.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
ii
há coisas que não queres esquecer. que guardas dentro de ti todos os dias, na mais longínqua das lembranças ou que escondes nos escombros do passado para que nem o pensamento mais rebuscado a encontre. tentas mantê-las afastadas dos sentidos para conseguires dar um passo em frente. tentas...
...com força.
fechas os olhos e procuras o vazio. mas não encontras. respiras e tentas de novo. apenas para chegar à conclusão que lutas contra algo maior que tu. o quê, perguntas.
e eu queria responder.
[para isto é perfeita.]
sexta-feira, 2 de abril de 2010
As saudades chegam como ondas que se desmancham nas brumas da primavera. Sente-se já o calor dos encontros lambozados de fruta e de descoberta e fazem-se as malas para arrumar as palavras frias do inverno. Encostam-se as árvores às costas de quem se estende para ver mais um pôr do sol e são breves os instantes em que se sente a vontade de chegar a casa. Passam rápido, destroem relógios de horas rotineiras e deixam-nos sentados cheios de sonhos e nadas, palavras ou silêncios, sorvendo apenas a chegada da primavera.
terça-feira, 23 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
chamo a tua sombra na noite,
como um desejo escondido sob os lençóis.
o teu silêncio, espero-o para me acalmar as palavras
guardadas há tanto tempo no fundo de uma gaveta
para que tu, viajante sem rumo, as tomes
e com elas teças o caminho de mais uma
dessas viagens que sempre acabam na linha do horizonte .
posso nunca saber o teu nome.
posso querer-te mesmo sem te querer.
que essa paixão que o vento carrega,
que as marés trazem no medonho das ondas
não é mais que a saudade que se tranca
sob o tecto de quem te vê, de novo, partir.
que se arraste nas brumas que dormem sobre o mar
este amor que me consome e é tão só,
como só está a cama em que esqueces as tempestades.
nunca te perguntaste nas tuas viagens,
oh, estranho viajante, de quem eram as lágrimas
que o teu barco pisava quando eram outras
as rotas do teu destino?
nunca te perguntaste de quem eram os gritos
que pareciam surgir do fundo do mar
como se as marés aniquilassem um resto
de vida presente num corpo?
espero um anúncio de ti sob o mar.
aqui, na orla da praia,
enquanto as ondas se desdobram na saudade
sou a silhueta distorcida que tempo apagou.
um corpo, um raio de luz.
o teu farol.
como um desejo escondido sob os lençóis.
o teu silêncio, espero-o para me acalmar as palavras
guardadas há tanto tempo no fundo de uma gaveta
para que tu, viajante sem rumo, as tomes
e com elas teças o caminho de mais uma
dessas viagens que sempre acabam na linha do horizonte .
posso nunca saber o teu nome.
posso querer-te mesmo sem te querer.
que essa paixão que o vento carrega,
que as marés trazem no medonho das ondas
não é mais que a saudade que se tranca
sob o tecto de quem te vê, de novo, partir.
que se arraste nas brumas que dormem sobre o mar
este amor que me consome e é tão só,
como só está a cama em que esqueces as tempestades.
nunca te perguntaste nas tuas viagens,
oh, estranho viajante, de quem eram as lágrimas
que o teu barco pisava quando eram outras
as rotas do teu destino?
nunca te perguntaste de quem eram os gritos
que pareciam surgir do fundo do mar
como se as marés aniquilassem um resto
de vida presente num corpo?
espero um anúncio de ti sob o mar.
aqui, na orla da praia,
enquanto as ondas se desdobram na saudade
sou a silhueta distorcida que tempo apagou.
um corpo, um raio de luz.
o teu farol.
sábado, 13 de março de 2010
i
Arrasto me nesta loucura incessante de ti, desse querer que hoje me consome e me mata. Esse adeus que não foi tocado, olhado, abraçado. Ardem me no c orpo todas as estações que passam sem ti. Doem como cicatrizes fundas de beijos de outrora. Abrem-se no corpo como frexas de uma memória de ti, criança da lua.
Ainda espero que voltes. Aguardo o sussuro debaixo do ouvido e o calor de um regresso que longe se avizinha. Não te guardo mágoas, não. Apenas o peso das escolhas que hoje aumentam a tua ausência.
Tenho saudades do mar. Do pôr do sol. Das horas que sumiam.
Hoje seria diferente.
segunda-feira, 8 de março de 2010
coisas antigas III

vapores que se afogam nos países dos dedos
e acendem a chama do teu nome,
enquanto me lavo em memórias do teu corpo
que se atreve sobre o meu.
Existe o som das gotas de água sobre
desejos perversos de te ter.
Possuir-te e abraçar gemidos sussurrados
que escapam dos teus lábios,
fazendo morrer o dia com
o primeiro beijo da noite.
O teu toque fechado sobre os meus seios,
A tua mão em utopias proibidas de mim.
Dorme comigo, hoje.
Afoga-te em mim.
que se atreve sobre o meu.
Existe o som das gotas de água sobre
desejos perversos de te ter.
Possuir-te e abraçar gemidos sussurrados
que escapam dos teus lábios,
fazendo morrer o dia com
o primeiro beijo da noite.
O teu toque fechado sobre os meus seios,
A tua mão em utopias proibidas de mim.
Dorme comigo, hoje.
Afoga-te em mim.
[fotografia de Daniela Morgado]
domingo, 7 de março de 2010
Poetas

Sem nada jà que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.
A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sonho que chega para o pouco ser que se é;
A gloria concede e nega; não tem verdades a fé.
Por isso na orla morena da praia calada e sò,
Tenho a alma feita pequena, livre de màgoa e de dò;
Sonho sem quase jà ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.
Dêem-me, onde aqui jazo, sò uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa da face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.
Sò, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.
Fernando Pessoa
[fotografia de Daniela Morgado]
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