sábado, 20 de novembro de 2010

luna.

Quando sentires o cheiro guardado nas estórias deste livro
 saberás quantas vezes morri sem o teu regresso,
deixando que o teu sabor me ferisse os lábios vazios 
e que a tua imagem mordesse o mármore dourado pelo sol da manhã.

Quando leres as palavras que dobrei entre as páginas da minha existência, 
saberás que não guardei nenhuma estrela presa noutros abraços, 
nem nenhuma rosa murcha entre doces espinhos que
 me rasgaram a carne em lágrimas tão amargas quanto a tua ausência.

Quando a noite esconder as palavras que escorregam na geometria deste livro
 saberás que os meus dias já não são dias
e que o tempo já não se estende nas rotas do meu corpo.


Daniela Morgado

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

albea.



não sei o que espero propriamente, nem o que me mantém mais tempo desperta. sei que é algo, que me move e me arrasa, deixa-me presa ao tempo, tanto quanto o tempo em mim. um gesto sôfrego, este de procura... mas nada chega e aqui, apenas se choram madrugadas com o cheiro de partidas... eu continuo cá, passando a noite, gastando o dia, esperando por esse beijo que naquele dia, partiu mais cedo.

domingo, 7 de novembro de 2010

a expressão "nunca mais" pesa tanto cá dentro.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Utopias.



Um copo de vinho ou dois. Quem sabe até mais. Preciso de um açoite nas palavras que se escondem e, hoje, não querem sair. É certo que a noite é uma criança mas o papel morre seco na saudade do toque da tinta.
O som distante e ciumento do violino distrai a escrita que não nasceu. Soam como gritos de outrora, pequenos segredos das marés que brotam no corpo. Partilho o vazio desta página com mais um cigarro. Transformo o gesto numa metáfora. E serão as cinzas as minhas palavras, o corpo mole que arde a minha fatalidade. E então, as ondas que se torcem no espaço como fantasmas do tempo, serão apenas a poesia do momento. Utopias.

Daniela Morgado

terça-feira, 5 de outubro de 2010

sem nexo..

contraem-se os sonhos em curtas imagens. palpitações que surgem quando já pesam as pálpebras e tudo o que nos mantém acordados são vontades aleatórias. fossem os sonhos pequenos calafrios que não pedissem à saudade para acordar, como pequenos suspiros que nos embalam mas de manhã foram o pensamento ficou entre o sono e o despertar. não o lembramos. tudo isto para não serem os lençóis um mar de momentos que nos envolvem e fazem não querer sair. se assim fosse, não seria a noite um mar de tempo que vai morrendo na impossibilidade dos sonhos. palavras estranhas e frases sem nexo. é tudo cá dentro.

mas eu queria..queria mesmo. o regresso.

domingo, 26 de setembro de 2010

o tempo corrói os pensamentos e corre sem medida possível de caber nas palmas das mãos. no entanto, deixa o sufoco do que não existe e abala num estalar de dedos, a crença de desejos há muito selados na cobardia das palavras.

dorme comigo, hoje.


sábado, 18 de setembro de 2010

Ain't nothing gonna get you to heaven


Lady, you come across the water,
Well don't you think you oughta?
Be waiting a while,
Are you acting, on what your heart has told you,
Is nothing gonna' hold you, from flying away, a-ha
Flying away a-ha, flying away.

'Cause there's nowhere to go,
Though the road is out stretching before you,
and the farther you go,
I said,
-Ain't nothing gonna get you to heaven
I said,
-Ain't nothing gonna get you to heaven
and you know just who you are
and you know that there's something between us,
and you like what you feel, but
-I can tell that you're not gonna turn back-
-Well I can tell that you're not gonna turn back-
And don't you know I'm a little bit sad, oh-no

Oh-la-la-la-la Arrgh

Mister, you better get a move on
You better get a fix on,
Mmm-you better walk straight.
I said Lady, oh take me if you want me, oh,
take me as you find me,
Oh, I'm needing your love so bad

And there's nowhere to go,
though the road is out stretching before you,
and the farther you go,
I said,
-Ain't nothing gonna get you to heaven
I said,
-Ain't nothing gonna get you to heaven
and you know just who you are
and you know that there's something between us, and,
you like what you feel, but,
-I can tell that you're not gonna turn back-
But,
-I can tell that you're not gonna turn back
And don't you know I'm a little bit sad, sad, sad, sad.
(Takin' the long way, and no turning back)


Fotografia de Daniela Morgado
Letra Supertramp - Lady

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

olhares.

por vezes fico presa. presa nesse olhar que vem de não sei onde, nem porquê. apenas, que me fita intensamente, como que esperando um retorno ou mesmo nada mais. esse olhar que me trouxe promessas e me derrubou por completo. fico presa, tão presa quanto estaria se o tempo pudesse ser apenas, uma mentira.


domingo, 5 de setembro de 2010

coisas antigas IV


Aqui a chuva morre na janela
num compasso agitado do tempo
e lá fora não há mais que
o frio cortante que esconde os corpos.

Os meus dedos escorregam por
aquilo que podia ser o teu nome
nos vidros embaciados.
Se lá fora te encontrasse,
talvez saísse por estas ruas cinzentas
só para abraçar o calor da tua presença.

Assim, deixo-me aqui envolta
em tudo aquilo que me lembra de ti…
Não, não aches estranho,
tudo o que me aquece em dias vazios
é o conforto das memórias que jazem nesta cama.
A tua imagem continua aqui ao meu lado
como uma alucinação constante,
uma droga para me esquecer
que talvez nunca voltes.

Se não me quiseres, não me digas.
Prefiro continuar a acreditar nas cartas de amor
com que me pintaste o corpo.


Daniela Morgado


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

tu.



fecho os olhos, fecho a alma. hoje nada te apaga do pensamento. és esse sonho que não chegou a terminar porque as horas da manhã assim o quiseram, és esse beijo que espera há muito para ser dado e esse calor que se esvai em solidão. fecho os olhos para chamar-te de novo e deixar a manhã transformar-se em tarde sem mim...