sábado, 8 de janeiro de 2011

leva-me à exaustão pensar na distância de um pensamento a um gesto. na cobardia que há em esconder no correcto tudo aquilo que nos pulsa no corpo. e que distância tão pequena...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

sabes a chuva.

A noite sabe a chuva. Como palavras de despedida que se colam ao tempo.
Um sabor estranho que se entranha no tédio dos dias e nos deixa na penumbra de nada sentir.
Na rua os cheiros misturam-se como corpos famintos entrelaçados; mas não os sinto. A imagem que tenho perante mim parece silenciosa e vazia. Estática na verdade.
Poderia dizer, agora, qualquer coisa que iria apenas ecoar nas memórias da minha existência. Um gesto egoísta que me transforma numa alma estranha...desconhecida, perdão.
Poderia chamar-te agora... mas a noite continuaria a saber a chuva... fria e distante como lágrimas que ficam nas palavras por dizer.
Tu sabes-me a chuva.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

a chuva veio vazia. sem abraços ou beijos, nem sequer as palavras que tiram o frio do corpo. não veio mais nada que não o cintilar das gotas nas telhas ou o barulho do vento que agita as ruas. deixo-me estar. enrolo-me no cobertor como se te abraçasse e murmuro algo que gostarias de ouvir. mas a chuva veio vazia. e cá dentro são só tempestades.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

old house. cold days.


fotografia de Daniela Morgado

sábado, 20 de novembro de 2010

luna.

Quando sentires o cheiro guardado nas estórias deste livro
 saberás quantas vezes morri sem o teu regresso,
deixando que o teu sabor me ferisse os lábios vazios 
e que a tua imagem mordesse o mármore dourado pelo sol da manhã.

Quando leres as palavras que dobrei entre as páginas da minha existência, 
saberás que não guardei nenhuma estrela presa noutros abraços, 
nem nenhuma rosa murcha entre doces espinhos que
 me rasgaram a carne em lágrimas tão amargas quanto a tua ausência.

Quando a noite esconder as palavras que escorregam na geometria deste livro
 saberás que os meus dias já não são dias
e que o tempo já não se estende nas rotas do meu corpo.


Daniela Morgado

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

albea.



não sei o que espero propriamente, nem o que me mantém mais tempo desperta. sei que é algo, que me move e me arrasa, deixa-me presa ao tempo, tanto quanto o tempo em mim. um gesto sôfrego, este de procura... mas nada chega e aqui, apenas se choram madrugadas com o cheiro de partidas... eu continuo cá, passando a noite, gastando o dia, esperando por esse beijo que naquele dia, partiu mais cedo.

domingo, 7 de novembro de 2010

a expressão "nunca mais" pesa tanto cá dentro.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Utopias.



Um copo de vinho ou dois. Quem sabe até mais. Preciso de um açoite nas palavras que se escondem e, hoje, não querem sair. É certo que a noite é uma criança mas o papel morre seco na saudade do toque da tinta.
O som distante e ciumento do violino distrai a escrita que não nasceu. Soam como gritos de outrora, pequenos segredos das marés que brotam no corpo. Partilho o vazio desta página com mais um cigarro. Transformo o gesto numa metáfora. E serão as cinzas as minhas palavras, o corpo mole que arde a minha fatalidade. E então, as ondas que se torcem no espaço como fantasmas do tempo, serão apenas a poesia do momento. Utopias.

Daniela Morgado

terça-feira, 5 de outubro de 2010

sem nexo..

contraem-se os sonhos em curtas imagens. palpitações que surgem quando já pesam as pálpebras e tudo o que nos mantém acordados são vontades aleatórias. fossem os sonhos pequenos calafrios que não pedissem à saudade para acordar, como pequenos suspiros que nos embalam mas de manhã foram o pensamento ficou entre o sono e o despertar. não o lembramos. tudo isto para não serem os lençóis um mar de momentos que nos envolvem e fazem não querer sair. se assim fosse, não seria a noite um mar de tempo que vai morrendo na impossibilidade dos sonhos. palavras estranhas e frases sem nexo. é tudo cá dentro.

mas eu queria..queria mesmo. o regresso.