segunda-feira, 2 de novembro de 2009


São agudos os sons que chocam com a mente, fazem semicerrar os olhos e acreditar que por um instante o tempo pára e nada se move. Uma imagem estática daquilo que somos.
Estamos quietos, todos quietos. Saboreamos o silêncio e olhamos para dentro do que somos. Por segundos o mundo é apenas um buraco negro gigante, no qual não conseguimos tocar-lhe o fundo. Avançamos rápido, pensamos. Mergulhamos no tempo, em nós e não sentimos…não sentimos nada. Somos puros, ainda que num tempo que não existe.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

a chuva deixa-me sem nada.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

depois das 04h I

Já se faz tarde para deitar a cabeça junto da consciência. Sente-se o peso nos olhos quando tudo à volta são imagens em movimento. O raciocínio perde-se com os gestos. 
Recosto-me a escrever. Mas prefiro a escrita interior...as palavras que não chegam, nunca a sê-lo. Digo-as para dentro para ninguém ouvir. 

terça-feira, 6 de outubro de 2009

veneno.


Queria morrer num abraço. Na exactidão de um olhar e no calor daquilo que não foi preciso dizer. Queria os braços a enrolarem-me o corpo e uma respiração calma a chamar-me os impulsos. Mas a noite não o permite. Traz as estrelas e tudo o que é vago, arrasta a mente para esse labirinto de suposições… veneno.


[ direitos de autor - fotografia de Bubbles - http://olhares.aeiou.pt/Bolhas]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

quebra-me o silêncio. suspira-me calma ao ouvido e desenha as palavras com as pontas dos dedos.
mas devagar. será mais fácil adormecer.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

chuva.

lá fora chove. uma chuva leve, é certo. talvez para lembrar que, cedo não haverão mais passeios quentes à beira mar, nem tardes à sombra das árvores. veio-o também para puxar o corpo à moleza caseira que arrasta o pensamento para a manhã fria que é a realidade.
lá fora chove. mas não me preocupo, deixo-me no conforto da escrita e no calor das palavras.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009


rodopiar... rodopiar...rodopiar... e deixar-me cair na leveza da alma.
é bom isto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

analogias na varanda I

Recosto-me na imagem do céu. A noite vai longa e nada mais que o som do vento se ouve. À minha frente, a imagem da rua é quase imperceptível; na varanda consigo ver apenas o recorte dos telhados dos prédios que se amontoam e, pouco acima estende-se o céu em meu redor. 
Deixo a cabeça cair para trás, lá em baixo pouco interessa. A esta hora talvez passasse um carro de hora a hora, um grupo de pessoas de regresso a casa ou, ainda, o velhinho que passeava o cão. Movimento...acordar. Não me interessa.
As nuvens correm rápido pelo céu, arrastam-me com elas. Arrastam mesmo. Sinto-me por instantes levitar da cadeira e seguir aquilo que grita, há muito, bem cá dentro. Longe, longe...ainda que por mera alucinação.
Distraem-me as árvores. O tilintar das folhas e os múltiplos verdes que surgem com as sombras. Rápido me recosto de novo. As nuvens ainda me prendem. Andam mais rápido agora, cobrindo por instantes as poucas estrelas que os candeeiros não conseguem ofuscar. E, ainda que apenas por segundos é como se um calafrio me corresse pelo corpo. O sustentar da respiração, mesmo que leve, o sentir que tudo o que nos apaixona fosse arrastado por grandes tempestades. Resta-nos o silêncio do instante, o inconsciente de um momento efémero e tudo aquilo que não se disse. São como farpas... mas as nuvens passam... como o tempo.

domingo, 16 de agosto de 2009

paredes de coura

[fotografia de Daniela Morgado]

apenas porque apetece sempre voltar.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

s/ título.

Pergunto-me se haverá maior vazio que este de quase morrer aos poucos por não sentir. A alma não é mais transparente e as palavras que surgiriam fluídas são, agora entraves do pensamento. Quero escrever-me. Quero possuir esse espelho que outrora me reflectiria em cada letra e deixar de ser um soluço de emoções silenciadas. Que pese o tempo em meu corpo e que voltem esses devaneios insanos que me excitam e me embriagam.
Não fossem as noites infinitos caminhos sem objectivo, nem as madrugadas escassas de vontade. Assim voltaria a garra, voltaria a escrita qual prazer viciante esse de conseguirmos tocar-nos com palavras, doces carícias sob lábios solitários. Um engano para a solidão.