segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

custa fechar os olhos e ter aquela imagem apenas na minha cabeça.
tão intocável. tão distante. tão impossível.

no entanto, durmo com ela.

sábado, 15 de janeiro de 2011

presença.

fotografia de Daniela Morgado

sábado, 8 de janeiro de 2011

leva-me à exaustão pensar na distância de um pensamento a um gesto. na cobardia que há em esconder no correcto tudo aquilo que nos pulsa no corpo. e que distância tão pequena...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

sabes a chuva.

A noite sabe a chuva. Como palavras de despedida que se colam ao tempo.
Um sabor estranho que se entranha no tédio dos dias e nos deixa na penumbra de nada sentir.
Na rua os cheiros misturam-se como corpos famintos entrelaçados; mas não os sinto. A imagem que tenho perante mim parece silenciosa e vazia. Estática na verdade.
Poderia dizer, agora, qualquer coisa que iria apenas ecoar nas memórias da minha existência. Um gesto egoísta que me transforma numa alma estranha...desconhecida, perdão.
Poderia chamar-te agora... mas a noite continuaria a saber a chuva... fria e distante como lágrimas que ficam nas palavras por dizer.
Tu sabes-me a chuva.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

a chuva veio vazia. sem abraços ou beijos, nem sequer as palavras que tiram o frio do corpo. não veio mais nada que não o cintilar das gotas nas telhas ou o barulho do vento que agita as ruas. deixo-me estar. enrolo-me no cobertor como se te abraçasse e murmuro algo que gostarias de ouvir. mas a chuva veio vazia. e cá dentro são só tempestades.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

old house. cold days.


fotografia de Daniela Morgado

sábado, 20 de novembro de 2010

luna.

Quando sentires o cheiro guardado nas estórias deste livro
 saberás quantas vezes morri sem o teu regresso,
deixando que o teu sabor me ferisse os lábios vazios 
e que a tua imagem mordesse o mármore dourado pelo sol da manhã.

Quando leres as palavras que dobrei entre as páginas da minha existência, 
saberás que não guardei nenhuma estrela presa noutros abraços, 
nem nenhuma rosa murcha entre doces espinhos que
 me rasgaram a carne em lágrimas tão amargas quanto a tua ausência.

Quando a noite esconder as palavras que escorregam na geometria deste livro
 saberás que os meus dias já não são dias
e que o tempo já não se estende nas rotas do meu corpo.


Daniela Morgado

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

albea.



não sei o que espero propriamente, nem o que me mantém mais tempo desperta. sei que é algo, que me move e me arrasa, deixa-me presa ao tempo, tanto quanto o tempo em mim. um gesto sôfrego, este de procura... mas nada chega e aqui, apenas se choram madrugadas com o cheiro de partidas... eu continuo cá, passando a noite, gastando o dia, esperando por esse beijo que naquele dia, partiu mais cedo.

domingo, 7 de novembro de 2010

a expressão "nunca mais" pesa tanto cá dentro.