sábado, 17 de julho de 2010

sin.


esqueço-me do que é lógico. por momentos tenho-o comigo. pedaços pequenos de tempo que apenas existem num suspiro, que deixo escapar antes de me entregar ao sono. abraço-o. o vazio. o consciente transtorna; traz-me ao barulho irrequieto que entra pela brecha da janela, traz-me os dias, a rotina. mas leva-o, mantém-o longe... precaução.
escrevo-o na minha cabeça com todas as linhas e pormenores... entrego-me também. deixo o desejo aconchegar-se...

consigo ouvir-te dizê-lo.


[fotografia de Daniela Morgado]

segunda-feira, 12 de julho de 2010

palavras soltas.

estremeço com o olhar. voltou... distante e tímido, mas estava lá.

domingo, 4 de julho de 2010

s/ título.

sinto agora as tuas palavras... cada letra como uma nota de música, bem calma, prolongada e ligeiramente aguda, notas que envolvem, arrepiam e hipnotizam; aquelas que fazem rasgar um pequeno sorriso ao canto da boca. as tuas palavras sinto-as doces, como manhãs de primavera embebidas no cheiro das flores. queria deixá-las ir... talvez as levasse o vento para outros destinos. mas não seriam tão doces as minhas manhãs... nem os meus sonhos.

digo baixinho, só para mim.

domingo, 6 de junho de 2010

por muito que tentes, há dias que em vez de andares para a frente os teus pés puxam-te para trás.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

tédio.

acordo de manhã e o que vejo fora da janela é apenas o mesmo. e o dia será apenas mais um no meio do tempo que não ousa em passar. as horas dilatam como as imagens que se colam aos olhos. fechar os olhos é pior. concentra.

passa-se o dia e tudo o que existe no final para dizer deixa-se cá dentro para, talvez, amanhã...

domingo, 2 de maio de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

iii

ouço um suspiro junto do meu ouvido. escrevo essa voz que vem de longe e encho as sílabas de doçura. sem pressa. as palavras vão avançando devagar, para nada escapar dos recantos da memória. mais tarde digo-as de novo. apenas para fechar os olhos contigo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ii

há coisas que não queres esquecer. que guardas dentro de ti todos os dias, na mais longínqua das lembranças ou que escondes nos escombros do passado para que nem o pensamento mais rebuscado a encontre. tentas mantê-las afastadas dos sentidos para conseguires dar um passo em frente. tentas...

...com força.

fechas os olhos e procuras o vazio. mas não encontras. respiras e tentas de novo. apenas para chegar à conclusão que lutas contra algo maior que tu. o quê, perguntas.

e eu queria responder.



[para isto é perfeita.]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

As saudades chegam como ondas que se desmancham nas brumas da primavera. Sente-se já o calor dos encontros lambozados de fruta e de descoberta e fazem-se as malas para arrumar as palavras frias do inverno. Encostam-se as árvores às costas de quem se estende para ver mais um pôr do sol e são breves os instantes em que se sente a vontade de chegar a casa. Passam rápido, destroem relógios de horas rotineiras e deixam-nos sentados cheios de sonhos e nadas, palavras ou silêncios, sorvendo apenas a chegada da primavera.

terça-feira, 23 de março de 2010