terça-feira, 2 de março de 2010

dont go.


as memórias. são os únicos braços que nos confortam no vazio da presença. aquecem os lábios que soletram baixinho conversas de outrora. ouxa lá outros tempos tivessem havido.

[fotografia de Daniela Morgado]


domingo, 7 de fevereiro de 2010

tu.tu.tu.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

coisas antigas II


O tempo corre tão depressa. Os dias mal se sentem nas sombras da pele. A percepção de um olhar desfoca-se entre as paisagens citadinas e os troncos das árvores torcem-se no rasgar de um pôr do sol. As mãos de criança fugiram das escadas que levavam ao escorrega e os risos que ecoavam ao final da tarde são, agora, meros murmúrios do vento que vem de norte. A esplanada onde deixávamos passar a tarde está agora vazia assim como os bancos escondidos atrás das árvores. Passo por lá, por vezes, quando não tenho mais nada que me lembre esses tempos.

E, é aqui que a saudade começa.


Fotografia de Daniela Morgado

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

coisas antigas.


ele disse-me tantas vezes que o céu era o limite. nada mais depois disso. dizia-o vezes sem conta enquando o dia se aconchegava nas costas da primavera ainda jovem. ria-me das suas palavras e contornava-o dizendo que não existiam paredes que aprisionassem a loucura do homem. abraçava-o com um sorriso rasgado pedindo-lhe um beijo e nada mais que um novo olhar sobre o infinito. depois partia.
ele disse-me tantas vezes que o céu era o limite. e de o dizer tantas vezes comecei a olhá-lo de modo diferente. o mar. o céu. a linha. e depois… talvez o nada. talvez as grades que encerravam os sonhos dos humanos. uma porta fechada para aqueles que tentam abri-la de noite quando as estrelas se lhes perdem nos olhos e o mundo lhes foge das mãos.
ele disse-me tantas vezes que o céu era o limite. abraçava-me depois e dizia que via o céu e o mar nos meus olhos e que o meu sorriso lhe despertava os sentidos. disse tantas coisas que mesmo não as dizendo me faziam corar. os seus dedos, leves sobre o meu rosto, eram segredos que guardava na alma.
ele disse-me tantas vezes…
ele disse-me e partiu.

[fotografia Daniela Morgado]

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

leves palavras.

quero desligar-me do que penso, para que nada me ocorra agora. inspirar a grandeza do vazio e experienciar a não existência de algo exterior a mim. amar o nada. a leveza.

sábado, 9 de janeiro de 2010

dias frios.


fotografia de Daniela Morgado

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

faz frio quando não estás.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

10 de julho 2010



as saudades já são muitas... mas já está mais perto [':

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

não devia existir o tempo, não para nos lembrar que se encherá de vazio...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

s/ título II


Às vezes pergunto-me porque nos enlouquecem os sonhos, com suas fantasias e impossibilidades. Mentiras que duram no inconsciente de um fechar de olhos e nos revoltam a alma, como marés turbulentas que arrastam os destroços para a beira mar. Ficam ali, quietos... o tempo que for preciso para que alguém os tome como uma mensagem de outros tempos que ficou por entregar.
Dizem que nada somos se não sonharmos e, que a própria vida não é mais que isso, um longo sonho cheio de caminhos tortuosos que acabará em vazio. Todos esperamos.

Sonhar dói. Dói no momento em que tudo termina, mesmo antes de ter chegado a acontecer e paramos somente para idealizar que nada existiu... Dói quando tudo poderia ter sido tão simples como é, quando fechamos os olhos e desenhamos o mundo com os nossos desejos. Dói quando a tua respiração desaparece no vazio do quarto...

Não sei porque o disse, mas neste momento vem-me uma frase de Fernando Pessoa à cabeça:
"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!"

 [fotografia de Daniela Morgado]